A FAZENDA: Aventura
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quarta-feira, 4 de setembro de 2019

EU, MEU IRMÃO E MINHA BICICLETA PEUGEOT







Minha primeira bicicleta, minha mesmo, foi uma Peugeot francesa de freio contra-pedal. Esta eu comprei com o salário de meu primeiro trabalho, sem que necessitasse da ajudada financeira do meu pai.
Era estranho procurar os freios nas mãos e só obtê-los tocando o pedal para trás.


Freios assim eram comuns em bicicletas de carga. Aquelas usadas nos armazéns, para fazer as entregas dos clientes.
Além do freio contra-pedal, esta minha bicicleta Peugeot era muito alta em relação as bicicletas com às quais estava acostumado.
Resultado. Acabei sofrendo alguns tombos, ao procurar os freios no guidom e quando me lembrava que era no pedal era tarde demais.
Em minhas muitas quedas na minha Peugeot, quebrei os braços algumas vezes, clavícula, pulso, pé, ombro, dedos e uma vez a perna. Claro que não foi tudo de uma vez. Minha história com a Peugeot foi marcada por muitos ferimentos e ossos quebrados, mas não foi devido a isto que minha Peugeot marcou minha vida, enquanto esteve comigo. 
O mais legal e o que a tornou inesquecível foi quando decidi ir com minha bicicleta de minha cidade, Newark em New Jersey até o Liberty State Park em Jersey City. São 11 milhas, aproximadamente 19 km.


Estava decidido a fazer isto e chamei meu irmão para para este desafio. Quatro amigos meu ao saberem desta "aventura" disseram que não ficariam de fora deste desafio e iriam conosco.
Assim, numa manhã de sábado ensolarado, fomos os seis pedalando com destino ao Liberty State Park.
Na véspera da viagem, havia preparado um bom lanche para mim e meu irmão, porque seria impossível fazer uma pedalada desta sem algo para comer na viagem, Isto sem falar no reforçado café da manhã que tomamos antes da partida.

Com paisagens deslumbrantes que só Newark tem, fomos pela 21 admirando cada detalhe de beleza rara, que passando de carro nunca percebemos. Pouco tempo depois, pegamos a rodovia 78 que nos levaria até as proximidades do nosso destino.
Não foi uma pedalada fácil, mas estávamos decididos. Algumas paradas rápidas para um descanso e de volta a rodovia.
E não eh que foi até rápido! Chegamos ao Liberty State Park. Foi impossível mão comemorar. O local eh simplesmente espetacular. Parece um refúgio para se esconder da vida que acontece todos os dias, onde a vida só acontece, sem motivos e nem objetivos, sem razão nem porque, sem inicio meio ou fim.




E não eh que encontro ali uma pessoa de minha cidade. Pessoa esta que conhecia minha família. Claro, ficamos conversando um tempo, falando daquela nossa aventura, enquanto meus amigos, que não havia trago lanche algum, e meu irmão, estavam saboreando os lanches que eu tinha feito para aquela viagem. Afinal estávamos cansados e com fome. Uma pedalada longa desta consome muita energia.
Depois que me despedi da tal pessoa de minha cidade e fui lanchar, para minha surpresa, não deixaram lanche algum. Comeram todos.
Resultado. Meus amigos saciados, meu irmão idem, eu com fome e sem muita energia, e precisávamos voltar.

Sem dinheiro, tive que encarar a viagem de volta a Newark com a o que restava de forças. 
Depois de um bom descanso, partimos de volta a Newark.
No início tudo ia muito bem, brincadeiras, contando casos, fazendo piadas e rindo muito. Mas fui ficando para trás porque já não conseguia acompanhar meus amigos. Meu irmão foi o único que se manteve pedalando ao meu lado.

A volta parecia longa demais. Não conseguia visualizar meus amigos em nenhum momento da pedalada. Já não tinha força mais para pedalar e então parei. Parei e deitei às margens da rodovia. Não conseguia sequer ficar de pé. Tinha perdido todas as forças. Só conseguia mesmo respirar. 
Com algumas moedas que tinha no bolso, pedi ao meu irmão para encontrar um local e comprar um refrigerante. Açúcar fornece energia rapidamente, embora dure pouco tempo, mas seria suficiente para eu tentar chegar em casa.

E assim, meu irmão encontrou o comércio onde comprou um refrigerante. Encontrou-me deitado no mesmo local, nem sequer havia me deslocado dali, tamanha falta de energia no corpo. Tomei o refrigerante e poucos minutos depois já estava de volta à rodovia pedalando.
Chegamos em nossa casa a tardinha e os vizinhos, preocupados com nossa demora, disseram que nossos amigos tinham chegado umas três horas antes.


Depois desta aventura inesquecível, dei a bicicleta para meu irmão e nunca mais tive outra bicicleta. Não que eu não pudesse ter ou mesmo quisesse, mas porque descobri que andar de bicicleta eh apenas uma fase na vida, que passa, vai embora e não volta mais. Ou talvez volte, quando em numa certa idade os médicos lhe recomenda andar de bicicleta. 

Mas por enquanto, fica somente esta aventura que vivi com minha bicicleta Peugeot e meu irmão, neste passeio de Newark até o Liberty State Park.

Texto: Thymonthy Becker (Pwalwer Kkall)





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MINHA VIDA NA FAZENDA

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

A CASA





Nossa casa fica na Rua -R-, aquela rua onde passa a linha do trem. Por isso chamamos o outro lado de nossa rua de -O canto da linha-. Todas as casas das três ruas são iguais. Todas as casas têm três quartos, sala, copa, cozinha, banheiro no fundo do terreiro da casa e uma coberta na saída da porta da cozinha para o terreiro.




Nesta coberta fica o fogão a lenha, igual em todas as casas. Somente nossa casa tem um alpendre na frente da porta de entrada na sala. E somente nossa casa o banheiro fica dentro de casa e não nos fundos do terreiro, como as outras casas. Ela tem este alpendre e o banheiro dentro de casa, porque foi construída para um dos engenheiros da empresa onde meu pai trabalha, mas ele não gostou da casa, então passaram a casa para meu pai morar, porque era o funcionário que tinha mais filhos.

Todas as casas têm um quintal no fundo que a gente chama de terreiro e um jardim na frente. Nossa casa era como todas as outras. Era, porque quando meus pais tiveram o décimo segundo filho a empresa onde ele trabalha decidiu que precisava aumentar o número de quartos. Assim, minha família mudou para uma casa provisória na última travessa, até que a reforma em nossa casa ficasse pronta. Passaram-se oito meses até que a casa ficasse pronta e ai nós voltamos para a nossa velha nova casa.

Velha, porque os pedreiros não mudaram em nada a frente da casa para não ficar diferente das outras. Nova, porque eles pintaram toda ela e ficou parecendo uma casa nova. Nesta reforma eles construíram mais dois quartos, transformaram a sala e a copa em um único cômodo que ficou sendo a copa. Nesta copa eles chumbaram no chão os pés de uma mesa muito grande. O tampo da mesa era de madeira, comprido e bem largo e foi feito na marcenaria daquela empresa onde meu pai trabalha.

Os bancos de madeira também foram feitos nessa empresa, que eh a Rede Mineira de Viação, e eram doze. Fizeram uma nova sala e construíram outro banheiro, só que fora da casa, lá no fundo do terreiro, como têm nas outras casas. Aumentaram a coberta onde fica o fogão a lenha. O muro da frente da casa eles apenas reformaram e o portão de entrada, que eh de ferro fundido, continuou o mesmo.

Os portões de todas as casas também são iguais e em todos eles vêm em relevo às duas letras referentes ao nome da empresa -O- -M- Oficina Mineira, exceto o potão da casa do meu pai, que vinha as letras "R" "M" Rede Mineira, porque a casa tinha sido feita para um engenheiro. Assim, nossa casa continuou igual a todas as outras na fachada e nas laterais, porque por dentro nossa casa ficou diferente e maior.

CONTINUA:


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