A FAZENDA: Cortez
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sábado, 24 de agosto de 2019

SOCAR O FOGÃO A LENHA





Buscar serragem para nosso fogão a lenha na empresa onde meu pai trabalha a gente ia toda sexta feira. Mas tinha uma tarefa que nenhum dos meus irmãos e nem eu, queríamos fazer. Era Socar o Fogão.
Socar o Fogão eh colocar a serragem dentro do local onde deveria ir a lenha e amassá-la até ficar bem prensada e firme.




Tem quatro canos que a gente coloca antes. Um destes canos era comprido e fica em baixo onde geralmente coloca a lenha. Os outros três menores ficam em cima deste cano comprido na direção das bocas da tampa de cima do fogão. Depois que posiciono os canos eh que coloco a serragem. Encho de serragem até em cima e depois vou prensando a serragem com um socador feito para isso. Quando faço isso a serragem baixa até o meio mais o menos. Ai tenho que colocar mais serragem e socar novamente. Faço isso até que a fique bem firme e cheio até a borda.


E isso tem que ser feito todos os dias. Depois que termino eu vou tirar os canos. Tiro os três menores primeiro e depois o cano de baixo. Se eu soquei o fogão direito, ao tirar os canos ficarão os buracos deixados por ele. Minha mãe coloca fogo no buraco do cano de baixo e a serragem vai pegando fogo vagarosamente e o fogo sai nas três bocas feitas pelos canos menores. Mas se eu não tiver socado bem a serragem, quando tiro os canos, a serragem desmancha tampando todos os buracos. Ai tenho que tirar toda a serragem e fazer novamente.

Nenhum de meus irmãos gosta de socar o fogão, eu também não. Perde muito tempo ali, eh cansativo e o braço fica doendo. E quando a serragem desmancha e tem que fazer novamente fica pior ainda. Minha mãe eh que escolhe quem vai socar o fogão todas as vezes que precisa. Meus irmãos ficam torcendo para não ser um deles. Minha mãe me manda socar o fogão e vai dizendo que eh para fazer direito porque se eu não fizer direito vou apanhar, porque ela sabe que quando faço isso a maioria das vezes a serragem desmorona.

Se não eh quando ela tira os canos, eh depois que já esta pegando fogo e ai minha mãe fica brava comigo. Meus irmãos ficam dizendo que eu soco o fogão de qualquer jeito só para não ser chamado de novo para socar o fogão. O que não eh verdade

Fonte dos textos e fotos: Thymonthy Becker 




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MINHA VIDA NA FAZENDA

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

ASSISTINDO TV NA CASA DA MINHA TIA E FUGINDO DOS FANTASMAS





Não temos televisão em nossa casa, mas na casa da minha tia que mora na mesma rua que a gente, tem. Ela liga a televisão somente depois que o marido dela chega do serviço a tarde.



O marido dela trabalha na mesma empresa onde meu pai trabalha. Ela tem oito filhos. Tem um tio nosso que mora com essa nossa tia. Ele eh irmão dela e nunca se casou. Eu e meus irmãos chamamos esse nosso tio de Tio Nono. Ele eh entrevado. Tem muitas dificuldades de mexer com os braços e as pernas. Por isso, passa muito tempo na cama.
Quase todos os dias depois que o dia escurece, eu e meus irmãos vamos até a casa desta nossa tia ver televisão. Nossa tia não deixa a gente entrar na casa dela para assistir a televisão, nós só podemos ver da janela da sala onde esta a televisão. Debaixo desta janela tem um beiral, que eh do alicerce da casa. A gente sobe neste beiral e fica debruçado na janela do lado de fora assistindo a televisão.

Só cabe três de meus irmãos ali. Então, quando vamos assistir a TV se já tiver três irmãos meu na janela, voltamos pra casa. As vezes quando eu vou lá para assistir a TV, tem três irmãos meu na janela e três sentados lá fora aguardando lugar para quando um sair da janela. Poucas vezes eu conseguia vaga para ficar na janela. Ficar muito tempo ali os pés ficam doendo por estar neste beiral e os braços também, porque eh com eles que a gente segura na janela.
Sempre que estou ali eu desço um pouco e subo novamente porque os pés ficam doendo. Quando minha tia quer que a gente vá embora, ela fecha a janela. As vezes a gente fica falando muito do que estamos vendo, minha tia então pede para a gente ficar calado porque se continuarmos falando ela fecharia a janela.

Mas a gente acaba falando mesmo e então ela fecha a janela não importa se agente estiver ali a bem pouco tempo. Aconteceu de eu estar assistindo a TV na janela com dois irmãos meu, eles vão embora e eu continuo na janela ate que minha tia a feche. Quando eu percebo que estou sozinho e tinha que ir embora por aquela rua quase escura, pois o poste de luz ficava lá no meio da rua e tinha um só, fico com medo.
Não tem ninguém na rua e eu tenho medo de fantasma. Então, fecho os olhos e saio correndo o máximo que eu posso em direção a nossa casa. Abro os olhos rapidamente para ver onde estou e fecho novamente. Faço isso até chegar em casa. Entro pelo portão e não olho para o jardim porque poderia ter fantasma ali.

Quando entro em casa me sentindo aliviado, vem minha mãe me xingar por eu ter ficado até tarde na casa da minha tia. Eh pra gente estar em casa até no máximo oito horas da noite e geralmente quando isso acontecia já eram umas nove horas da noite. Eu prometia pra mim mesmo que nunca mais iria à casa da minha tia assistir televisão para não correr risco de ver fantasma, mas no outro dia já quero ir lá assistir a TV novamente.

Fonte dos textos e fotos: Thymonthy Becker - 





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MINHA VIDA NA FAZENDA

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

EU, E OS PASSARINHOS DO MEU PAI





Meu pai cria passarinhos. Ele tem várias gaiolas com vários passarinhos diferentes. Acho que ele vende passarinhos. Quem limpa as gaiolas e coloca comida para os passarinhos são meus irmãos. Eles sempre reclamam, pois ficam mais de uma hora para limpar todas as gaiolas.



Meu pai disse que não posso limpar as gaiolas sozinho, mas tenho que ajudar meus irmãos. Essas gaiolas ficam debaixo de uma coberta que tem no fundo do terreiro. Essas gaiolas são limpas sempre de manhã. Hoje, depois que terminamos de limpar as gaiolas, meus irmãos foram para dentro de casa e eu fiquei ali debaixo da coberta sentado no chão e olhando os passarinhos.
Fiquei pesando que os passarinhos quisessem dar uma volta voando no nosso bairro. Então, fiquei de pé em frente às gaiolas e disse para os passarinhos que eu ia deixar eles voarem pelo nosso bairro, mas eles tinham que voltar antes que meu pai chegue para almoçar, as onze horas.

Fui de gaiola em gaiola e abri todas as portas. A maioria dos passarinhos saiu voando, mas alguns parecem que não achavam a porta da gaiola. Com dificuldades tirei todos que não tinham saído ainda. Sentei no chão e fiquei brincando com o posto de gasolina. Posto de gasolina eh um brinquedo que ganhei no natal. Tem o posto e alguns carrinhos para a gente brincar de abastecer. Estava brincando já a um bom tempo quando minha mãe me chamou para almoçar.
Os passarinhos não tinham voltado ainda. Fui para debaixo da mesa e pouco depois meu pai chegou. Minha mãe fez o prato do meu pai e dos meus irmãos, o meu eh sempre o último. Ela começa sempre pelos mais velhos. Meu pai terminou de almoçar e eu estava só começando. Sempre depois que meu pai almoça, ele vai ver os passarinhos.

Ele foi até a coberta. De lá ele gritou perguntando o que tinha acontecido ali. Meus irmãos e minha mãe saíram para o terreiro para saber o que estava acontecendo. Eu larguei meu prato debaixo da mesa e saí correndo e me escondi debaixo da cama do meu irmão. Quando meus irmãos viram as gaiolas abertas já disseram: foi o Bolinha, ele ficou a manhã toda aqui.
Meu pai saiu a minha procura dizendo: eu vou matar esse menino.
Minha mãe tentava acalmar meu pai, mas ele estava furioso e entrou em casa gritando meu nome dizendo que ia me matar. Um dos meus irmãos disse para meu pai que eu estava debaixo da cama. Meu pai me puxou pelo braço, arrancou minha camisa com facilidade, porque nossas camisas geralmente não tem botão e quando tem eh um só, mas está sempre desabotoado, e me levou até o terreiro e de frente para as gaiolas me perguntou o que tinha acontecido.


Eu tremendo de medo disse que o pai dos passarinhos foi até lá e disse que queria os filhos dele de volta, então eu abri as portas para eles saírem. Meus irmãos caíram na gargalhada e ficaram dizendo que eu era maluco mesmo.
Meu pai, me segurando pelo braço, arrancou um galho da árvore que tem no nosso terreiro e começou a me bater. Não importava onde desse as varadas. Me acertou várias vezes nas costas, nas pernas e no rosto. Minha mãe tentava impedir dele me bater, mas ele não parava. Quando ele soltou meu braço, cai no chão e fui protegendo o rosto com as mãos porque meu pai chuta a gente quando está batendo na gente e caímos no chão.


Ele então começou a me chutar. Não importa onde pegasse o chute. Chutou minha barriga, minha bunda, as minhas costas e quando ele acertou meu rosto acertou também minha mão.
Começou a sair sangue em minha boca e na minha testa. Minha mãe conseguiu fazer ele parar de me bater ficando entre ele e eu. Eu sempre evito chorar quando meu pai me bate, porque meus tios sempre dizem que homem de verdade não chora, mas desta vez eu não consegui e chorei muito. Meu irmão me pegou no chão e me levou para dentro de casa.
Eu ainda chorava enquanto minha mãe passava remédio nas marcas das varadas nas costas, no rosto e nas pernas. Minha mão ficou inchada e meu rosto também devido ao chute que levei.
Depois que minha mãe passou remédio nas feridas fui para minha cama debaixo da mesa ainda chorando e acabei dormindo.

Não saio de casa nem para ir à escola, tenho vergonha das pessoas verem as marcas no meu rosto. Minha mãe disse que eu não preciso ir até melhorar. Quando algum dos amigos dos meus irmãos vem aqui em casa, fico deitado debaixo da mesa e coberto até a cabeça para que não vejam meu rosto. Meu pai chegou do serviço a tarde foi até a coberta e quebrou todas as gaiolas. E nunca mais criou passarinhos.

Fonte dos textos e fotos: Thymonthy Becker / Internet 




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